A pesquisadora brasileira que une formação multidisciplinar, mais de três décadas de jornalismo e experiência institucional foi recebida por lideranças da indústria tecnológica, autoridades regulatórias, parlamentares e importantes centros de pensamento estratégico dos Estados Unidos. Durante seu doutorado sanduíche, recebeu convites para colaborar com discussões legislativas sobre cabos submarinos e propostas de atuação profissional no país.

Há trajetórias que encontram sua força justamente na capacidade de reunir conhecimentos que, à primeira vista, pertencem a universos distintos.

A de Claudia Cataldi é uma delas. Mestre em Ciência Política e Relações Internacionais, com formação em Jornalismo, Publicidade, Direito e Tecnologia em Processamento de Dados, além de especializações em políticas públicas, defesa, segurança, governança e compliance, ela construiu um percurso profissional no qual a comunicação e a pesquisa acadêmica se complementam.


Foi essa combinação que encontrou em Washington, D.C., durante seu doutorado sanduíche, um ambiente particularmente fértil.

Selecionada para uma experiência acadêmica internacional altamente competitiva, Claudia desenvolveu uma agenda de interlocução que alcançou executivos de grandes empresas de tecnologia, especialistas em telecomunicações, autoridades regulatórias, parlamentares norte-americanos e pesquisadores de instituições de projeção internacional.


Sua investigação, dedicada aos cabos submarinos de comunicação e à inteligência artificial, exigia algo além da pesquisa bibliográfica. Era necessário compreender de perto a infraestrutura que sustenta a conectividade mundial, conhecer seus operadores, discutir vulnerabilidades e entender como os países tratam a proteção dessas redes, cada vez mais importantes para a economia, segurança e soberania nacional.

Na Hudson Interxchange, em Nova York, teve contato com um dos mais importantes ambientes de interconexão de telecomunicações do mundo, instalado no emblemático 60 Hudson Street.

Na SubCom, referência mundial em engenharia, fabricação e instalação de sistemas de cabos submarinos, aproximou-se de um setor cuja atuação é indispensável à comunicação entre continentes.

Também esteve em interlocução com a TeleGeography, reconhecida internacionalmente por seus estudos, mapas e inteligência de mercado sobre redes de telecomunicações e sistemas submarinos.

A experiência ganhou outra dimensão no Condado de Loudoun, na Virgínia, conhecido como Data Center Alley. A região concentra o maior polo de data centers do mundo, infraestrutura essencial ao funcionamento da internet, dos serviços em nuvem e das aplicações de inteligência artificial. Conhecer esse ambiente significou compreender, em escala concreta, como a infraestrutura física se converte em poder econômico, governamental, tecnológico e estratégico.

Mas foi nas conversas com representantes do Congresso norte-americano que uma das dimensões mais significativas de sua passagem pelos Estados Unidos se tornou evidente.

Ao discutir a legislação e os desafios regulatórios relacionados aos cabos submarinos, Claudia chamou a atenção de parlamentares e integrantes de seus gabinetes pela profundidade de seu conhecimento técnico.

A desenvoltura com que abordava a arquitetura das redes, os aspectos operacionais, as vulnerabilidades e as implicações geopolíticas do setor surpreendeu interlocutores que atuavam diretamente nesses assuntos.

O reconhecimento teve consequências concretas. Claudia recebeu diversos convites para participar de trabalhos e discussões voltados à elaboração de propostas legislativas sobre cabos submarinos, justamente por sua capacidade de contribuir tecnicamente com um tema que exige conhecimento especializado. Em algumas dessas conversas, congressistas chegaram a manifestar surpresa com o nível de domínio que demonstrava sobre questões que também integravam suas próprias agendas de trabalho. Além disso, recebeu inúmeros convites para oportunidades profissionais e posições nos Estados Unidos. Eram manifestações de interesse que sinalizavam que sua contribuição poderia ultrapassar os limites da pesquisa acadêmica e encontrar espaço no próprio ambiente institucional norte-americano.

Outro encontro de relevância foi com o presidente da Federal Communications Commission (FCC), Brendan Carr.

A agência, suprema autoridade reguladora de comunicações dos Estados Unidos, tem atribuições sobre telecomunicações, radiodifusão, televisão, rádio, comunicações por satélite, cabos submarinos e espectro radioelétrico. Sua atuação é determinante para o ambiente regulatório de um setor que atravessa profundas transformações tecnológicas e geopolíticas.

A agenda incluiu ainda encontros com professores, pesquisadores, especialistas e palestrantes de importantes universidades e think tanks, instituições que influenciam o debate internacional sobre defesa, relações exteriores, tecnologia, segurança e políticas públicas.

A interlocução com esses ambientes permitiu ampliar o alcance da investigação e confrontar o conhecimento acadêmico com a experiência de quem participa diretamente das decisões que moldam o setor.


Não foi por acaso que essa circulação encontrou receptividade. Claudia leva consigo mais de 35 anos de experiência jornalística, com atuação na televisão e no rádio, passagem pela comunicação pública, experiência como gestora e uma longa trajetória no ensino. Apresentadora da TV ALERJ, professora e pesquisadora, conhece tanto a linguagem das instituições quanto a dinâmica dos meios de comunicação. Essa vivência lhe permitiu formular perguntas precisas, estabelecer relações profissionais e tratar assuntos complexos sem perder a clareza.

Sua formação também foi construída em ambientes de alta exigência. Foi bolsista das Nações Unidas em Israel, tendo cursado especialização em Desenvolvimento Sustentável Local em Rehovot e integrou o corpo discente da Escola Superior de Guerra, onde aprofundou estudos relacionados à defesa e à segurança. Sua experiência institucional inclui passagens por Secretarias Municipais de Comunicação, Marketing e Eventos, pela Ouvidoria do Estado do Rio de Janeiro e pelo Conselho Executivo da Casa da Moeda do Brasil. Atualmente, também exerce funções de liderança em entidades ligadas à comunicação e à governança na capital federal.

O tema de sua pesquisa tem especial significado para o Brasil. Com uma extensa costa voltada para o Atlântico Sul e crescente dependência de conexões internacionais, o país precisa compreender melhor a infraestrutura que transporta seus dados e sustenta serviços essenciais. Os cabos submarinos não são apenas equipamentos de telecomunicações instalados no fundo do oceano. Representam ativos estratégicos, cuja proteção envolve interesses sociais, econômicos, diplomáticos, tecnológicos e militares.

A inteligência artificial acrescenta uma nova camada a esse debate. Sua expansão aumenta a demanda por capacidade computacional e conectividade, ao mesmo tempo que modifica os parâmetros de armazenamento, segurança, governança e autonomia tecnológica. É nessa interseção que Claudia concentra sua investigação, aproximando a agenda brasileira de discussões que hoje ocupam governos, empresas e centros internacionais de pesquisa.

Em Washington, ela não se limitou a apresentar um tema de pesquisa. Encontrou interlocutores, despertou interesse, recebeu convites e conquistou reconhecimento em ambientes nos quais o conhecimento técnico precisa ser demonstrado com consistência.

O resultado de sua experiência revela o valor de uma formação que não se restringe a uma única área: a capacidade de reunir ciência política, direito, tecnologia, governança, defesa e comunicação em uma leitura abrangente dos desafios contemporâneos.
Sua passagem pelos Estados Unidos deixa uma marca que ultrapassa o percurso individual. Demonstra que o conhecimento produzido por uma pesquisadora brasileira pode dialogar diretamente com os principais ambientes internacionais de decisão e contribuir para discussões que terão impacto sobre o futuro das comunicações, da infraestrutura digital e da soberania dos países.






