
A força da black music, que ajudou a moldar o pagode brasileiro nos anos 1990, volta a ganhar espaço entre artistas da nova geração. Entre eles está Coimbra, cantor de 24 anos, nascido e criado em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio.
O artista viralizou nas redes sociais ao interpretar “I’ll Be There”, clássico do Jackson 5, em uma versão com batucada de pagode. Influenciado pela música negra desde a infância, Coimbra tem como referências Thiaguinho e Péricles, com quem já teve a oportunidade de cantar.
A relação com o pagode começou ainda criança, quando ouvia o gênero escondido por conta da educação religiosa. Durante a pandemia, enquanto cursava Enfermagem, decidiu transformar a música em profissão após a morte de uma tia, que lhe disse: “Filho, a sua voz vai ecoar pelos cantos da Terra”. Pouco depois, montou uma banda e fez seu primeiro show.
A mistura de referências dialoga com a história do pagode dos anos 1990, marcada por grupos como Raça Negra, Negritude Júnior, Só Pra Contrariar, Katinguelê e Soweto. Hoje, essa influência reaparece em trabalhos como o álbum “Bem Black”, de Thiaguinho, e no espetáculo de Péricles no Rock in Rio dedicado aos clássicos da Motown.
Homem preto, gay e casado, Coimbra também encontrou na música uma forma de representação. “Quando eu consegui me reconhecer, a barreira entre o artista e quem estava do outro lado caiu”, afirma.
No início da carreira, ele quer conquistar espaço sem perder suas raízes: “Eu não quero apenas chegar. Quero construir.”











