Alice Alves será madrinha de bateria da Nova Geração do Estácio de Sá: ‘É a semente que a gente está ajudando a cuidar’

Rainha de bateria da Estácio, decacampeã de karatê, piloto de automobilismo, médica veterinária e empresária do

ramo da construção civil, ela assume novo posto na escola mirim e relembra relação com o Carnaval desde a infância._

Alice Alves vai ganhar um novo posto dentro da Estácio de Sá. Depois de ser rainha da escola no último Carnaval e assumir, neste ano, o posto de rainha de bateria, ela será anunciada como madrinha de bateria da Nova Geração do Estácio de Sá, escola de samba mirim da agremiação.

O convite, segundo Alice, aconteceu de maneira pouco convencional. Alice estava no intervalo de uma gravação e levou sua equipe para almoçar. No meio do encontro, que acabou virando uma comemoração de aniversário, o mestre de bateria da Nova Geração pediu licença ao mestre Chuvisco, da Estácio, para fazer o convite. “Foi tudo muito espontâneo. Recebi com muito carinho e muito respeito, porque entendo a responsabilidade que existe por trás desse convite”, relembra.

Para ela, o novo posto representa mais do que estar à frente de uma bateria. É também uma oportunidade de contribuir para a formação de quem ainda está começando a descobrir o samba. “Eu acho que mais do que dar suporte é você dar a sua presença, o seu carinho e a sua responsabilidade para essa nova geração. Hoje temos crianças que amanhã serão mestres de bateria, porta-bandeiras, passistas, rainhas, presidentes. Elas são o futuro da escola”, afirma.

Para Alice, as escolas de samba mirins cumprem justamente esse papel de aproximar crianças e adolescentes da cultura do Carnaval e transmitir conhecimentos que passam de uma geração para outra. Na bateria, na dança, no canto ou nos bastidores de um desfile, os pequenos têm contato não apenas com o samba, mas também com a história e a identidade de suas comunidades.

*Do Carnaval de rua ao comando da bateria*

E esse olhar para quem está começando, conversa diretamente com a própria história da beldade, que começou a se envolver com o carnaval ainda na infância. Os irmãos costumavam levá-la para blocos e manifestações carnavalescas pelas ruas, e ela cresceu tendo contato com esse universo, embora a família não tivesse uma ligação direta com escolas de samba. “Minha família nunca foi de escola de samba. Eu tinha contato com o Carnaval, mas não com o desfile de escola. Quando criança, assistia pela televisão e vivenciava o Carnaval na rua, em Madureira, nos blocos”, lembra.

O contato mais próximo com uma escola veio anos depois, quando o seu então namorado (hoje marido), a levou à Portela. Mas uma lembrança ainda mais antiga ajuda a explicar de onde pode ter vindo o gosto pelo ritmo: O pai de Alice gostava de participar de leilões e costumava comprar lotes que, entre outras coisas, tinham instrumentos musicais. Em casa, os objetos acabavam virando brinquedo para a criançada da rua. “Ele colocava tudo na rua e as crianças pegavam. Cada um tocava uma coisa do jeito que achava que era certo e aquela bagunça acontecia”, conta, rindo.

A brincadeira acabou despertando o interesse pela percussão. Na escola, Alice entrou para uma banda e começou a tocar tarol. Anos depois, a menina que brincava de fazer música na rua se tornou decacampeã de karatê, piloto de automobilismo, médica-veterinária e empresária do ramo da construção civil. No Carnaval, construiu uma trajetória de décadas e, hoje, ocupa um dos postos de maior destaque da Estácio.

Agora, ao lado das crianças da Nova Geração, ela enxerga uma possibilidade de devolver ao samba um pouco do que recebeu. “Eu acho muito bonito poder ajudar a consolidar essas raízes. A gente precisa olhar para essas crianças porque são elas que vão manter essa história viva. Hoje somos nós que estamos aqui, mas amanhã serão elas.”

*Uma relação que foi além da avenida*

A chegada de Alice à Estácio também foi marcada por uma participação que ultrapassou os dias de desfile. Desde que assumiu a escola, ela vem se aproximando da comunidade e contribuindo diretamente com a agremiação. Antes mesmo do convite para ser madrinha de bateria da Nova Geração, ela já custeou as fantasias completas de cerca de 50 crianças da Nova Geração do Estácio de Sá para o próximo Carnaval.

Empresária do setor da construção civil também fez a reforma da quadra da Estácio, além de ter subido o Morro de São Carlos para distribuir camisas e bandeiras e incentivar a comunidade a voltar a ocupar os espaços da escola e acompanhar de perto a preparação para o Carnaval. “Eu não quero estar na Estácio apenas para desfilar. Quero conhecer a comunidade, participar e deixar o meu legado, conclui.

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